Você pode interpretar esta história como sendo a obsessão de um jovem, pelo seu sombrio antepassado, que destruiu sua sanidade. E contar esse triste fim do protagonista não estraga a história pois isso já é contado em detalhes logo nos primeiros parágrafos. A trama foca nessa degradação de Charles Ward, por isso o autor não se importou em começar pelo fim, para, daí, nos levar para as causas dessa situação.
Enfim, interpretar esta história de um ponto de vista psicológico se encaixa bem nesta trama escabrosa. Mas no decorrer das páginas você sente como se o próprio H. P. Lovecraft se esforçasse para te dizer: "Não! Isso é muito mais do que uma simples loucura!" E você depara com cartas e entradas de diário, frutos de investigação de Ward e de outros personagens e vai imergindo cada vez mais em uma fantasia contada de um modo que você quase acredita ter sido real, tal é o nível de detalhes contido no texto.
Sinopse. O doutor Willet investiga o quê teria trazido o jovem Charles à loucura, a partir de sua obsessão por um mal-falado antepassado envolvido em atividades ocultistas. Eles estuda as anotações de seu paciente, bem como cartas e diários até encontrar as ruínas da temida fazenda do arcano.
Indicações => 14 anos. O autor faz uso de um vocabulário difícil e trata do ocultismo de um modo realista e inapropriado para crianças.
Um escritor visceral como Lovecraft não raro enche seu texto de detalhes excessivos, criando parágrafos enormes, às vezes do tamanho de toda uma página, tornando o texto confuso. Isso acontece com esta obra, o que tornou a estilística seu ponto fraco; mas visto que o leitor paciente agrega em sua leitura, ao tentar compreender tal avalanche de palavras, uma nota mediana, no quesito estilística, é justa. Mas seus personagens e a atmosfera criada compensam com notas altas. A temática, que é a decadência que a obsessão trouxe ao personagem, também é apropriadamente desenvolvida durante a trama.

