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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Nas Montanhas da Loucura, de Lovecraft, 1931. Análise


 

Lovecraft era fascinado pela Antártica, na época do escritor este continente era muito menos explorado do que é hoje em dia, e mesmo hoje é um local de muitos mistérios. Quando escritor decidiu juntar este fascínio com as historias de seus pesadelos (sim, Lovecraft baseava suas histórias em seus pesadelos), ele escreve Nas Montanhas da Loucura.

   Eis o ambiente perfeito para os mitos Cthulhu, uma região imensa e inexplorada, onde, facilmente ele podia locar uma cidade perdida, abandonada antes mesmo da história convencional humana. E esta historia é isso mesmo, a exploração de uma cidade perdida, com arquitetura exótica, torres interconectadas e o pior: não parecem ter sido anatomicamente construídas para habitação humana. 

   A construção de tensão é lenta e constante, um Slow Burn, como poderíamos chamar em termos modernos. 

   As descrições são tão precisas que, com a ajuda de um dicionário, poderíamos formar uma imagem mental em três dimensões das torres e túneis. De fato, isto está atualmente sendo reconstruído em forma de uma adaptação cinematográfica por Guilermo del Toro. Mas duvido que, por melhor que o filme seja, irá tornar obsoleto o texto original.

   As palavras são abundantes mas você as devora como um louco. Mesmo não entendendo todos os termos arquitetônicos, você se esforça para imaginar como seria vagar por aquela cidade abandonada. Você já leu o contexto e sabe que a coisa vai ficar muito feia em dado momento desta empreitada do cientista.

   Um detalhe interessante é o elemento de "Found Footage" presente na obra. Estilo que se tornaria muito popular nos cinemas com a A Bruxa de Blair e seus sucessores.

Sinopse. Uma expedição ao continente Antártico dá muito errado quando parte da expedição avança para um local inexplorado e é encontrada dilacerada quando os dois cientistas que ficaram para trás realizam uma busca no local. Com o intuito de investigar este mistério, eles sobem uma montanha onde jaz uma cidade perdida há muito abandonada.

  Escrita já em uma época mais recente da vida do escritor, temos um texto melhor estruturado e flúido, embora ainda altamente descritivo. Se uma imagem vale mais que mil palavras, na falta de imagens Lovecraft nos escreve palavras aos milhares, num esforço para nos passar aquilo que imaginava. Mas é um esforço que vale a pena, pois nossa curiosidade é recompensada na medida certa.

 

Indicações. 12 anos. Há "gore" aqui, embora em forma de texto. Mas nada que tua vó não aguente.
 
 
 

NerdCrítico

Fernando Vrech, o NerdCrítico, faz críticas de filmes, games e livros; faz críticas políticas em seu twiter e em seu canal no Youtube; escreve ficção para a Editora Paranigma; traduz obras antigas e escreve sobre literatura em seu blog Histórias de Mistérios.

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